sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

OS AMIGOS

OS Amigos servem para isto,o que é uma vergonha Assunto: Estoril Sol CLARO QUE REPASSO…………………….. Foram hoje publicadas, no site da CMVM, as contas respeitantes a 30/09/2013 da “Estoril Sol” ( Casinos do Estoril, de Lisboa-Expo, e da Póvoa de Varzim). Têm elementos muito curiosos: - A empresa fechou o 3º Trimestre com lucros de 1.258.281 €; -As receitas diminuíram 5% face às da mesma data de 2012. No entanto fazendo uma análise mais fina constata-se que caíram 7% as respeitantes às “slot-machines” e subiram 2% as respeitantes ao jogo bancado (bacará, gamão, etc); -No total de 137.771.294 € de receita contabilizada, 42% respeitam ao Casino de Lisboa,37% ao Casino Estoril e 21% ao Casino da Póvoa; - Os benefícios fiscais recebidos ascendem a 2.333.516 € ( 1,8% do total da receita e perto do dobro do lucro registado). Os benefícios foram atribuídos como apoio do Estado à renovação dos equipamentos de jogo e 405.000€ como apoio do Estado à “animação realizada”. É basto estranho! O Governo corta nas pensões mais baixas de viúvas e viúvos de poucas centenas de euros e concede benefícios de milhões para a renovação de “slot machines” e para os espetáculos realizados nos Casinos!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Crónica da vida na cidade

 
FICÇÃO:

Era uma correria. De manhã então parecia um jogo, como quem foge dele próprio. Tantas ruas e tanta gente sem destino, porque eram sempre as mesmas, ou outras as pessoas que enchiam as ruas. Passa o eléctrico, deixá-lo, leva destino, e vai cheio de gente. Alguém tem pressa e tenta furar, mas não, contorce-se e pouco avança. Aquele mendigo já há dias estava ali. É a casa dele. Não pode ser, ali chove. Na paragem também chove, o vento corre e não para. A valeta vai cheia de água, entope, extravasa, que mal tem isso se ninguém repara. Os sapatos estão velhos, ensopados de água. Compro outros logo que possa. Ah!, mas o fim de semana ainda vem longe, longe devia eu estar daqui, para sentir outros cheiros. O cheiro aqui é podre. A cidade não está bem. Olha aquele, por pouco não atropela o garoto, mas eles também, parecem sanguessugas por entre a confusão.

Agora vou apanhar o barco, talvez ali encontre um banco para descansar. Olhe? Por favor!..., onde passa o 21?, Eu também não sei. Nunca soube. Há tantos, que nunca sei onde estou. Vá de metro, mas entrar naquele labirinto não é para todos. Como se sai depois? E o bilhete. Tira-se numa máquina, e as moedas? Rejeitadas, não tenho mais, agora vou a pé. Mas que horas serão?. O relógio está parado, mas as luzes estão acesas, algumas, outras não. Agora fico aqui abrigado. O carro avariou, Uff! Que gritaria de buzinas, o homem não sai do carro. Está com medo, espera a policia que não chega. Vou-me embora, eles que buzinem, estão entretidos. Toda a gente a puxar ao carro.
Roubaram alguma coisa? Parece que não. Mas, e aquele burburinho. Sim é uma senhora a quem roubaram a mala. Fugiram, eram dois ou mais, ninguém os viu. A mala apareceu, mas vazia. A polícia não veio, está lá no carro avariado. Olha vou por esta rua mais sossegada. Não vás, aí é que está o perigo. Quanto mais gente melhor, sentimo-nos mais seguros, encostamo-nos uns aos outros. Vou jantar aquele pequeno restaurante, não é que me apeteça. Está sempre sujo, cheio de papéis junto ao balcão. O bom era, como da outra vez, que até tive dificuldade em usar tantas facas e garfos. A comida era só um bocadinho de cada vez. Comi pouco, mas sai sem fome. Olha! bem me parecia que era uma prostituta, está para ali, espera um cliente, já não é nova. Vem cá!, chama ela, eu?, Não tenho dinheiro, não faz mal, eu só quero conversar, mas sobre o quê?, Oh! Apetece-me falar, e vi logo que podia falar consigo. O dia corre-me mal, também a mim, nisso somos iguais. Se calhar temos mais semelhanças. Vou-me embora, já é tarde. A minha rua parece diferente, aquele quer arrumar o carro, num lugar de uma bicicleta. Fica em diagonal, metade no passeio metade na estrada. A porta de casa está aberta, subo ao 2.º andar e atiro-me para cima da cama. Quero adormecer, e sonhar com o paraíso.

Válter Deusdado

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Cronica da prisão


FICÇÃO:
Tratava-se de um homem simples, bom, que fora apanhado nas malhas da justiça. Era assim que os amigos se dirigiam, quando falavam dele.
Na realidade ela matara uma mulher. O juiz não teve dúvidas. Estava escrito que o crime de homicídio era punido com prisão. Prisão efectiva.
Quando abandonou a prisão, depois de cumprida a pena de dezasseis anos, Fernando era outro homem. Mais amargo porventura, mais distante dos outros, sem contudo sentir ódio. A privação da liberdade, custara-lhe muita dor solitária, onde a partilha perdera o sentido e era contrariada pelo estar só. Edificara muros a sua volta. Iria recomeçar tudo de novo. Nesse dia de Setembro, quando o sol ainda subia no horizonte, Fernando sente-se desfalecer, numa solidão que tantas vezes jurara abandonar. Num relance revê o passado e sacode com energia os ombros, como para se libertar daquela carga que tanto o tinha atormentado na prisão. Iria em frente com a vida, como prometera a advogada Clara, e esse dia chegara.
Ele crescera do nada. De família pobre, pobre continuara. Um dia conheceu Alice, vendedora de flores na praça. Fizeram planos, juras, e Fernando sente a vida a sorrir-lhe. Aí sim, o seu sorriso começou a alargar, e só terminou quando descobriu que Alice o traíra com outro homem. Matara por amor, defendeu a sua advogada em tribunal.
Para a advogada Clara, aquele caso, mostrara-lhe o carácter de um homem que ela julgava não existir. Aquela paixão que revelara em tribunal, a convicção com que falava da felicidade era tocante, não pela ingenuidade, mas sobretudo pela verdade que colocava nas palavras. Acreditara no amor, que o havia de trair. Dera tudo o que tinha a Alice, e ela tudo lhe roubara, desabafava ele. Era pungente aquela verdade fria.
Clara não resistiu a fazer-lhe algumas visitas durante a privação da liberdade. Sempre o achou resignado, a pena tinha sido justa dizia ele. Alice estava morta, penalizava-se por isso.
Nesse mesmo dia de Setembro, um telefonema de Clara, marcava um encontro agora fora da prisão.
Ela sabia que tinha sido justa aquela defesa, por isso foi gratificante o passeio, ao fim desse dia de Setembro com o seu ex-cliente.

Válter Deusdado